Paisagem da Torre Eiffel, em Paris, que exemplifica o tema sobre as principais curiosidades sobre os vinhos franceses

10 curiosidades sobre os vinhos franceses

Existem países que, sem dúvida, são referência indiscutível no universo do vinho, mas que escondem segredos e histórias que muitos não conhecem. É por isso que preparamos uma lista com as principais curiosidades sobre os vinhos franceses e a sua cultura gastronômica.

Celebrado em 14 de julho, o Dia Nacional da França é um feriado nacional que comemora dois eventos históricos que mudaram o país, marcando o fim da monarquia absolutista e o início da república: a Queda da Bastilha (1789) e a Festa da Federação (1790). O que muitas pessoas não sabem é que o vinho foi justamente um dos catalisadores da Revolução Francesa.

Aqui na Cellar, a França é uma das nossas grandes referências pela versatilidade e qualidade de seus terroirs, contemplando regiões muito admiradas por quem gosta da bebida como, por exemplo, Borgonha, Bordeaux, Beaujolais, Champagne, Alsácia, Sancerre, Vale do Loire e Rhône.

Mas, fora isso, o que há de tão curioso na viticultura do país?

História dos vinhos franceses

No Brasil, o consumo de vinho vem crescendo significativamente ao longo dos anos. Na França, no entanto, a relação com a videira é sagrada e identitária desde sempre.

Apesar de a história da vinicultura francesa ter começado há mais de 2 mil anos, ainda hoje o país é considerado a principal referência para a indústria vinícola por diversos fatores: suas uvas famosas, os métodos de produção, o sistema de denominação de origem e a forte noção de terroir.

Embora o cultivo de uvas tenha começado por volta do século VI a.C., com a fundação de Massália (atual Marselha) pelos colonos gregos, foram os romanos que disseminaram a viticultura pelo território da Gália. Posteriormente, a produção foi impulsionada pelos interesses comerciais de mercados como o inglês e o holandês.

Foi nas regiões da Borgonha e de Champagne onde o conceito de terroir — a relação entre solo, clima e o trabalho humano — começou a se consolidar. Além disso, o país é o berço de algumas das uvas mais famosas do mundo como, por exemplo, Cabernet Sauvignon, Sauvignon Blanc, Pinot Noir, Chardonnay, Grenache, Merlot e Syrah.

Curiosidades sobre os vinhos franceses

1. A França é o país mais visitado do mundo e lidera o turismo enológico

Anualmente, a França registra mais de 100 milhões de visitantes internacionais, sendo o destino turístico mais popular do mundo. O enoturismo é um dos grandes pilares desse sucesso, graças às rotas de vinho que abrangem 11 regiões principais. Nessas viagens, é comum visitar caves históricas, passear pelos vinhedos e fazer degustações guiadas.

2. O consumo de vinho na França reflete um hábito diário

De acordo com a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), os franceses figuram entre os maiores consumidores do mundo. Embora haja uma queda gradual nas últimas décadas devido a mudanças de hábito das novas gerações, a população consome em média 40 litros de vinho por pessoa ao ano, o que equivale a cerca de 53 garrafas por habitante.

3. Languedoc é a maior região produtora de vinho do mundo

Situada no sul da França, a região de Languedoc possui mais de 200 mil hectares de vinhas, sendo a maior zona vitivinícola do mundo. Ela se estende pela costa do Mediterrâneo até o sul da Provença e, sozinha, é responsável por produzir aproximadamente um terço de todo o vinho francês, o que equivale a cerca de 1,8 bilhão de garrafas ao ano.

4. A França tem mais de 1.600 tipos de queijo que moldam sua cultura gastronômica

Outro ponto fundamental é que o país é um dos maiores produtores mundiais de queijo, fabricando uma quantidade expressiva de variedades que se dividem em famílias, geralmente, conforme a textura, o tipo de leite e o tempo de maturação. Essa variedade conversa diretamente com o universo dos vinhos, já que a harmonização entre queijos e vinhos faz parte da cultura gustativa presente no cotidiano do país.

5. O vinho francês já foi usado antigamente como remédio

Muito antes de ser uma bebida social, o vinho era utilizado como agente medicinal. Na Idade Média, sob influência das tradições antigas, a bebida chegou até a ser recomendada para tratar dores estomacais e problemas digestivos. Naquela época, como a água potável nem sempre era confiável nas zonas rurais, o vinho era visto como uma alternativa mais segura e nutritiva para o dia a dia.

6. Les Caves du Louvre em Paris já foi uma adega de vinhos da realeza

Um ponto turístico subterrâneo em Paris é a rede de túneis conhecida como Les Caves du Louvre. Construída no século XVIII a pedido do sommelier do Rei Luís XV, a estrutura servia para armazenar os vinhos da corte com discrição. Atualmente, o espaço conta com cerca de 800m² e geralmente recebe visitantes para passeios históricos e degustações.

7. Bordeaux é reconhecida globalmente como a capital mundial do vinho

Localizada no sudoeste da França, Bordeaux é mundialmente famosa pela sua produção de vinhos. Além de ter um centro histórico listado pela UNESCO e abrigar a Cité du Vin (um museu dedicado à cultura da bebida), a região também conta com milhares de propriedades vinícolas famosas por seus blends tradicionais baseados em Cabernet Sauvignon e Merlot.

8. O Vale do Loire é moldado pelo rio mais longo da França

O rio Loire tem mais de 1.000 km de extensão e corta uma das regiões vinícolas mais bonitas da França. O seu vale é classificado como Patrimônio Mundial da UNESCO, conhecido tanto pelos vinhedos que produzem brancos e tintos de alta qualidade quanto pelos seus mais de 100 castelos históricos.

Leia também: 5 motivos para conhecer o Vale do Loire

9. A maioria dos vinhos franceses famosos tem o nome das regiões

Refletindo a tradição do Velho Mundo, os rótulos franceses priorizam o local de origem em vez da uva utilizada. Por exemplo, um vinho da comuna de Morgon trará o nome da região em destaque, e não a uva Gamay. Essa lógica vem de séculos atrás, partindo da premissa de que o solo e o clima do lugar são os fatores que realmente determinam o sabor final da bebida.

10. O imposto sobre o vinho foi um dos estopins da Revolução Francesa

Por fim, o vinho também teve um papel econômico e político central na Revolução Francesa de 1789. O governo da época cobrava taxas alfandegárias abusivas que faziam o preço de um barril triplicar ao passar pelos portões de Paris. Revoltada com os altos impostos, a população destruiu dezenas de postos de fiscalização fiscal antes da Queda da Bastilha. Durante o processo revolucionário, consumir os tintos comuns de taverna virou um ato político de igualdade contra os vinhos de luxo consumidos pela nobreza.

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