Paisagem de vinhedos na Toscana e o vilarejo de Montalcino.

Enoturismo em Montalcino: um roteiro pela terra do Brunello

Planejar um roteiro de enoturismo em Montalcino é uma boa maneira de conhecer a região por inteiro. Afinal, aqui o vinho está diretamente ligado ao território, à paisagem e à própria história da cidade.

Entre vinhedos, propriedades rurais, estradas que atravessam o campo e um centro histórico medieval, Montalcino permite combinar degustações com passeios, gastronomia e momentos para simplesmente apreciar a paisagem.

Uma viagem para a região, portanto, não precisa ser uma sequência de visitas a vinícolas. Com um pouco de planejamento, dá para conhecer o Brunello e, ao mesmo tempo, descobrir o seu lugar de origem.

Se você está pensando em viajar para Montalcino, reunimos aqui o que vale conhecer e como organizar o roteiro.

Por que conhecer Montalcino?

Montalcino está no sul da Toscana, a cerca de 40 quilômetros de Siena, na borda do Val d’Orcia. A zona de produção dos vinhos segue os limites históricos do município e soma cerca de 24 mil hectares, dos quais apenas 15% são cobertos por vinhedos. O resto são bosques, olivais, áreas agrícolas e outros usos do solo.

O vinho é parte importante dessa identidade. É aqui que nasce o Brunello di Montalcino, elaborado exclusivamente com Sangiovese, além do Rosso di Montalcino, também feito com a mesma uva. O território abriga ainda as denominações Moscadello di Montalcino e Sant’Antimo DOC.

Mas o território não se resume às vinhas. Montalcino preserva um centro histórico de origem medieval, construções que contam a história da cidade e uma paisagem que pode ser explorada de diferentes maneiras.

É justamente essa combinação que faz a viagem valer a pena: você conhece o vinho e, ao mesmo tempo, o lugar que está por trás dele.

Leia também: Vinhos Brunello di Montalcino: Por que são tão famosos?

O que fazer em Montalcino?

Montalcino reúne história, vinho, gastronomia e paisagem. Por isso, vale reservar um pouco do roteiro para conhecer a cidade antes de sair em busca das vinícolas.

Você pode começar o dia caminhando pelas ruas do centro histórico, entender melhor a história do Brunello e, depois, seguir pelas estradas que levam aos vinhedos e às localidades próximas.

A seguir, algumas sugestões para incluir no roteiro.

Caminhar pelo centro histórico

Montalcino conserva seu centro histórico medieval, com ruas estreitas, pequenas praças e construções que ajudam a contar a história da cidade.

Piazza del Popolo é um dos pontos centrais do passeio. Ali está o Palazzo dei Priori, construído entre o fim do século XIII e o início do XIV e marcado pela torre com relógio e pelos brasões dos antigos podestà da cidade.

Piazza del Popolo

A Fortaleza de Montalcino, com obras iniciadas em 1361 sobre estruturas defensivas do século XIII, ocupa o ponto mais alto da cidade. Além da importância histórica, é um dos lugares de onde se pode observar a paisagem dos vales e das colinas ao redor. Atualmente, há também uma enoteca instalada na área da fortaleza.

Outros pontos que podem entrar no passeio são:

  • Concatedral do Santissimo Salvatore: reconstruída em estilo neoclássico no início do século XIX, faz parte do conjunto histórico de Montalcino.
  • Igreja da Madonna del Soccorso: o santuário tem origem medieval e foi ampliado ao longo dos séculos. Seu interior reúne altares barrocos e obras de artistas ligados à escola de Siena, incluindo Francesco Vanni.
  • Museu Cívico e Diocesano de Arte Sacra: instalado no antigo convento de Sant’Agostino, reúne uma importante coleção de pintura e escultura da escola sienesa.
  • Enotecas e lojas locais: espalhadas pelo centro histórico, são uma boa oportunidade para conhecer os vinhos de Montalcino e outros produtos da região.

Visitar o Tempio del Brunello

Se o objetivo da viagem é entender melhor o vinho, o Tempio del Brunello merece espaço no roteiro.

Localizado no complexo monumental de Sant’Agostino, o espaço apresenta uma experiência imersiva dedicada ao Brunello e ao território de Montalcino. A narrativa parte de quatro pilares: solo, biodiversidade, clima e trabalho humano.

A experiência passa por diferentes ambientes, cada um com uma proposta:

  • InVolo: uma experiência com realidade virtual que permite observar os vinhedos, vilas e paisagens do município.
  • Os quatro pilares: uma área subterrânea com recursos audiovisuais dedicados aos elementos que ajudam a explicar a identidade do vinho de Montalcino.
  • Vozes de Brunello: entrevistas com pessoas ligadas à história do vinho e da região.
  • Quadro Divino: espaço interativo que convida o visitante a registrar sua própria experiência.
  • Calix: sala em formato inspirado em uma taça invertida, com obras apresentadas por meio de tecnologia de video mapping.

A experiência termina novamente no claustro, onde é possível continuar a descoberta pela taça. A enoteca oferece degustações de Brunello e Rosso di Montalcino, acompanhadas por recursos de sommellerie.

É uma boa maneira de começar a viagem pelo vinho antes mesmo de chegar a uma vinícola.

Conhecer as paisagens e os arredores

Depois de explorar o centro, vale reservar um tempo para conhecer a paisagem rural de Montalcino.

Uma possibilidade é seguir em direção a Castelnuovo dell’Abate, pequena localidade nos arredores de Montalcino, e combinar o passeio com uma visita à Abadia de Sant’Antimo, complexo românico beneditino a cerca de 10 km da cidade, habitado hoje por uma comunidade de monges olivetanos.

Abadia de Sant’Antimo

Se quiser incluir uma experiência diretamente em uma vinícola, Stella di Campalto é uma opção localizada em San Giuseppe, na área de Castelnuovo dell’Abate.

A experiência de visita começa nos vinhedos e segue até a vinícola, onde os visitantes podem provar vinhos das barricas. As visitas acontecem apenas à luz do dia e são poucas por semana (cerca de duas), por isso a reserva precisa ser feita com antecedência. Não há taxa fixa: a experiência está condicionada à compra de uma ou mais garrafas, e a degustação é acompanhada por produtos locais de pequenos produtores. 

Outra opção é Le Ragnaie. A propriedade tem 28 hectares no território de Montalcino (23 de vinhedos e 5 de olivais), com as vinhas distribuídas por três áreas distintas. As visitas acontecem mediante reserva, com grupos de até 20 pessoas, e atendimento em italiano, inglês e espanhol.

Em todos os casos, confirme as condições de visita diretamente com cada propriedade: horários, disponibilidade e formatos de degustação mudam com frequência.

Enoturismo em Montalcino: como organizar as degustações?

As propriedades estão espalhadas pelo território e as condições de visita variam. Algumas trabalham mediante reserva, outras possuem experiências específicas e nem todas funcionam como atrações abertas ao público.

Por isso, antes de montar o roteiro:

  • Confira diretamente com cada produtor se há visitação;
  • Faça a reserva com antecedência;
  • Confirme horário, duração e formato da experiência;
  • Considere o deslocamento entre as propriedades;
  • Evite concentrar muitas degustações no mesmo dia;
  • Se for dirigir, não associe a degustação à direção.

O próprio Consorzio del Vino Brunello di Montalcino mantém informações sobre os produtores e suas condições de visitação, o que pode ajudar no planejamento.

Dicas para aproveitar melhor o enoturismo em Montalcino

Planejar uma viagem de vinho envolve alguns detalhes que fazem diferença na experiência. Em Montalcino, algumas escolhas simples ajudam a aproveitar melhor o tempo.

Não tente conhecer tudo

Montalcino pode ser explorada com calma. Escolher menos lugares e aproveitar melhor cada um costuma resultar em uma viagem mais interessante do que tentar encaixar o maior número possível de visitas.

Planeje os deslocamentos

As propriedades ficam espalhadas. Antes de confirmar os horários, veja quanto tempo será necessário para chegar de um lugar ao outro.

E não se esqueça: visitas e degustações devem ser agendadas previamente quando a propriedade exigir reserva.

Deixe espaço para a cidade

Não passe todos os dias entre vinhedos. O centro histórico, os museus, a gastronomia e os arredores também fazem parte da experiência.

Explore o Val d’Orcia

Se houver tempo, vale estender o roteiro para outras localidades do Val d’Orcia. Pienza, San Quirico d’Orcia — com o vilarejo termal de Bagno Vignoni — são algumas das possibilidades para combinar com Montalcino, dependendo do tempo disponível.

Quantos dias reservar para conhecer Montalcino?

Não existe um único roteiro ideal. A quantidade de dias depende do ritmo da viagem e de quantos lugares você pretende conhecer.

Bate e volta

Se a passagem for rápida, escolha uma experiência de vinho e reserve o restante do dia para conhecer o centro histórico, almoçar e caminhar pela cidade.

2 dias

Com dois dias, já é possível dividir as experiências entre Montalcino e seus arredores.

Uma boa estratégia é dedicar o primeiro dia à cidade, ao Tempio del Brunello e a uma degustação, deixando o segundo para explorar os vinhedos, Castelnuovo dell’Abate e Sant’Antimo.

3 dias ou mais

Com mais tempo, o roteiro pode ser feito com mais calma. Você consegue combinar diferentes experiências de vinho, conhecer melhor a paisagem e ainda reservar um dia para explorar outras localidades do Val d’Orcia.

Mais tempo também significa menos pressa entre uma degustação e outra. E, em uma viagem focada em enoturismo, isso faz diferença.

Conheça Montalcino também pelos vinhos da Cellar

Nem todo produtor precisa entrar no roteiro como uma visita. Alguns podem ser descobertos diretamente na taça.

Quer entender a diversidade de Montalcino antes mesmo da viagem? Na curadoria da Cellar, estão nomes como Le Ragnaie, Il Colle di Carli, Giuseppe Gorelli, Stella di Campalto e até mesmo Soldera, referência absoluta do Sangiovese em Montalcino — vale notar que, desde a safra 2006, seus vinhos são engarrafados como Toscana IGT, e não como Brunello di Montalcino DOCG.

Explore os vinhos de Montalcino e comece a descobrir sua história pelo paladar.

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