Mesmo nome, mas nem tão parecidos assim
O Vale do Rhône é uma região vitivinícola que carrega muita história, cultura e uma produção bastante diversificada. O único elemento que liga o norte e o sul desta localidade é o Rio Rhône, ou Reno, que corre em direção ao norte e deságua no Lago de Genebra. Toda a produção de vinhos, no entanto, não poderia ser mais diferente. Vamos descobrir o porquê.
Norte do Rhône
A parte norte do Rhône estende-se por 72km de norte a sul e sua produção de vinhos é tão limitada, que os vinhos produzidos nessa parte da região representam apenas 5% de todo o vinho elaborado no Rhône.
O clima nessa localidade é o que chamamos de continental. Os verões são curtos, secos, ensolarados e bastante quentes. Já os invernos são longos, rígidos e com alguma chuva. Os períodos de nevoeiro podem impactar em doenças fúngicas das vinhas e as geadas de primavera são fatais durante a brotação.
Uma das particularidades do norte do Rhône é a sua topografia. Alguns vinhedos localizados nas encostas montanhosas, podem chegar a 60 graus de inclinação, fazendo da colheita um exercício extremamente trabalhoso e impossível de ser realizado através de máquinas.
O solo por aqui é majoritariamente granítico. Esse tipo de solo contribui com a emissão de calor para a vinha, o que facilita a maturação das uvas.
E por falar em uvas, a quantidade disponível por aqui é um tanto econômica.
A estrela principal é a Syrah, que aparece sozinha em vinhos estruturados, negros, intensos e com longa capacidade de guarda.
Quando envelhecidos, estes vinhos apresentam notas de frutas negras, couro, caixa de charuto e alcaçuz. O destaque da produção vai para Côte-Rôtie e Hermitage.
A elaboração de vinhos brancos ao norte do Rhône é limitada. Encontramos vinhos varietais feitos com a Viognier em Condrieu e Château Grillet. O estilo é de um vinho branco complexo, encorpado, intenso e com notas de gengibre e mel. Marsanne e Roussanne são outras duas uvas brancas que aparecem juntas em rótulos secos, com aromas de frutas amarelas e com alguma capacidade de guarda.
Sul do Rhône
É na porção mais ao sul do Rhône onde encontramos a vasta maioria da produção vitivinícola local. Apesar de também encontrarmos mais vinhos tintos, por aqui a diversidade de estilos é maior. Brancos, rosados e até vinhos de sobremesa possuem denominações de origem renomadas e conhecidas mundialmente.
O clima dessa localidade, diferentemente do norte do Rhône, é o que chamamos de mediterrâneo. O clima mediterrâneo tem como característica invernos amenos, curtos e chuvosos, e verões quentes, ensolarados e secos. Tal tipo de clima é propício para o cultivo de uvas que se adaptam bem a climas quentes.
Inclusive, aqui, não existe uma única uva que brilha em quase todos os vinhos como no norte. A região é muito mais orientada à produção de vinhos de corte, ou seja, vinhos confeccionados com duas uvas ou mais.
Lista de uvas mais comumente usadas no sul do Rhône:
(da mais importante à menos usada)
Tintas: Grenache, Syrah, Mourvèdre, Carignan, Cinsault, Clairette Rose, Counoise, Grenache Gris, Marselan, Muscardin, Picpoul Noir, entre outras.
Brancas: Grenache Blanc, Clairette, Viognier, Bourboulenc, Roussanne, Marsanne, Muscat à Petits Grains Blanc, Picpoul Blanc, Ugni Blanc, entre outras.
Quanto aos solos, encontramos ao sul do Rhône argila, pedra calcária e as famosas galets. Essa última pode ser vista em zonas de produção consideradas mais premium, como Chateauneuf-du-Pape, por exemplo.
As galets são pedras de rio que foram moldadas ao longo dos anos. As vinhas plantadas em solos com esse tipo de pedra recebem o reflexo do sol. Já à noite, as pedras irradiam o calor recebido durante o dia. O resultado são frutos intensos e que podem gerar vinhos encorpados e profundos.
Existem dezenas de denominações de origem ao sul do Rhône. A AOC Côtes du Rhône é a mais genérica e que produz vinhos em maior volume. Chateauneuf-du-Pape é a mais famosa. Sua produção é majoritariamente de tintos que apresentam taninos firmes e marcados e pode ser produzido com até 13 uvas diferentes. Gigondas é outra apelação local, menos famosa que CdP, mas que entrega vinhos tão intensos quanto a famosa região.
Harmonização
Para os vinhos mais emblemáticos de cada parte do Rhône, podemos pensar em harmonizações diferentes. Os tintos escuros e profundos do Norte podem combinar com carnes vermelhas assadas, ou mesmo um charuto.
O famoso Chateauneuf-du-Pape podemos harmonizar com carne de cabrito. Inclusive, um prato local é cabrito com alho e ervas selvagens conhecido como Chevreau À L´Ail Et Herbes Sauvages.
Os vinhos mais leves do Rhône podem ser harmonizados com charcutaria, queijos e também um tartar de carne.
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